DOENÇAS DO INTESTINO GROSSO

TERMOS MAIS COMUNS – SINTOMAS:

1 – CONSTIPAÇÃO INTESTINAL:
• “Prisão de ventre”. Quando o indivíduo tem uma freqüência de evacuação diminuída (mais de três dias sem evacuar). Pode ocorrer em várias doenças do intestino grosso

2 – OBSTIPAÇÃO:
• Situação aguda de parada da eliminação de fezes. A obstipação ocorre em alguém que costumeiramente tinha um bom hábito intestinal e que passou a ter o intestino trabalhando de forma mais lenta. Pode ocorrer em várias doenças do intestino grosso

3 – DIARRÉIA:
• Aumento da freqüência e alteração na consistência das fezes. Isto é, quando a pessoa vai mais de 3 vezes ao dia evacuar e as fezes são amolecidas ao extremo ou até mesmo liquefeitas. Pode ocorrer em várias doenças do intestino grosso

4 – PRURIDO ANAL:
• Coceira na região do ânus.

5 – FLATULÊNCIA:
• Eliminação exagerada de “flatus” (gazes)

 
 

2. DOENÇA DIVERTICULAR

• Indica a presença de divertículo nos cólons. O termo divertículo significa que as camadas internas do intestino grosso (mucosa e submucosa) formam saculações através de uma camada muscular enfraquecida e, conseqüentemente, criam invaginações da referida camada interna sobre a parte externa (serosa) deste cólon.

• Esta situação é mais comum na faixa etária acima dos cinqüenta anos (chegando a 90% das pessoas com 90 anos). Está aparentemente ligada a fatores dietéticos, ou seja, tem maior prevalência em populações que se alimentam de poucas fibras. Uma dieta rica em fibras tende a aumentar o peso e o diâmetro das fezes, reduzindo assim as contrações musculares e pressão no interior da luz do intestino grosso. Isto diminui a possibilidade da criação de divertículos.

• A maioria dos pacientes não tem sintomas. Alguns podem ter dor abdominal inespecífica e intermitente. Apenas 20% apresentam doença diverticular que pode ser manifestada como diverticulite (inflamação do divertículo) ou sangramento intestinal.

• A diverticulite se manifesta com dor abdominal aguda no quadrante inferior esquerdo, acompanhada de febre, náuseas e vômitos freqüentes.
• O diagnóstico é feito clinicamente e com auxílio de exames de sangue, raios X, ecografia abdominal ou tomografia abdominal.

• O tratamento, em princípio, é clínico, podendo se tornar cirúrgico na vigência de complicações (abscesso intra-abdominal, perfuração do intestino). No paciente que já teve mais de uma vez episódio de diverticulite aguda, deve-se levantar a possibilidade de cirurgia de ressecção do cólon acometido.

 

3. DOENÇA DE COLON

È uma das neoplasias mais freqüentes do mundo, independentemente do sexo, atingindo indivíduos de mais idade (acima dos 50 anos), porém com atuais tendências de aumentar sua incidência em jovens.

• Estudos nos EUA mostram que 1 em cada 20 americanos irá desenvolver câncer de cólon ou reto em determinada fase da vida.

• Fatores de risco do câncer colorretal está ligado à: maio consumo de gordura, ferro, pacientes com história familiar, pacientes com doença inflamatória intestinal, portadores de certos pólipos intestinais, portadores de outros tumores (mama, útero, ovário, outro câncer de intestino já tratado).

• Fatores de prevenção seriam: consumo de fibras vegetais, vitaminas, selênio e cálcio; pacientes que praticam exercícios físicos e aqueles cuja história familiar desta doença é negativa.

• As queixas mais comuns são de sangramento intestinal ou obstrução do intestino (com diminuição ou parada da eliminação de gazes e fezes). Os exames confirmatórios são feitos através de biópsia feita por retossigmoidoscopia ou colonoscopia. O enema opaco pode auxiliar no diagnóstico da lesão.

• Exames como raios X de tórax, ecografia abdominal, tomografia abdominal podem auxiliar no estádio desta doença.

• Exames de sangue específicos são importantes no seguimento destes pacientes após o tratamento e para diagnosticar recidivas tumorais precocemente (CEA – antígeno carcinoembrionário).

• O tratamento é cirúrgico usualmente. Pode, dependendo do estadio do tumor, ser complementado por quimioterapia e/ou radioterapia.

• A sobrevida dos pacientes portadores desta neoplasia é melhor quanto mais cedo for feito o diagnóstico e forem tomadas as devidas medidas de tratamento.

 
4. PÓLIPOS DE INTESTINO

Os pólipos do intestino grosso são elevações (proeminências) da mucosa retal em direção à luz do intestino.

• São de elevada prevalência na sociedade e o adenoma (seu principal exemplar) é precursor do câncer colorretal.

• Os pólipos podem ser, de acordo com seu crescimento, pediculados (com cabeça globosa e pedículo fino) ou sésseis (com pedículo amplo).

• Normalmente os pediculados podem ser ressecados totalmente via colonoscópica (por colonoscopia), enquanto os sésseis devem ser apenas biopsiados (retirada de uma pequena parte para posterior análise patológica da lesão).

• Nos casos de múltiplos pólipos (polipose) a hereditariedade é fator importante. Isto faz com que se torne necessário investigar todos os membros diretos da família do portador.

• Os sintomas usualmente são vagos (diarréia mucosa, hemorragia, dor abdominal) e pouco específicos.

• O diagnóstico pode ser feito por exame endoscópico direto ou enema opaco. A biópsia da lesão, todavia, fornece o tipo histológico e se há ou não malignidade na peça em questão.

• As características que denotam mais preocupação quanto a malignidade são: pacientes jovens, múltiplos pólipos, pólipos sésseis e de tipo histológico adenomatoso.

• Os adenomas podem ser ressecados por exame endoscópico. Se o resultado anátomo-patológico da lesão mostrar certo grau de malignidade, deve-se levar em conta a ressecção do cólon.

5. COLITE ULCERATIVA

É uma doença crônica, de causa desconhecida que se caracteriza por processo inflamatório da mucosa e submucosa do intestino grosso.

• De forma semelhante à doença de Crohn, as lesões têm características granulomatosas, porém somente atingem o intestino grosso. Também, assim como Crohn, tem incidência aumentada de lesões perianais e de doenças inflamatórias extra-intestinais. Todavia a colite ulcerativa tem maior correlação com o aparecimento de câncer de cólon.

• Os sintomas são usualmente incidiosos e, de maneira mais grosseira, chegam a se manifestar com diarréia crônica e sanguinolenta. Pode ocorrer perda de peso e de apetite.

• O enema opaco ou a colonoscopia com biópsia podem dar o diagnóstico.

• O tratamento consiste primeiramente em melhora do estado geral provocado pela desidratação e desnutrição. O controle da fase aguda pode ser atingido com uso de medicações (corticóides), e as medicações à base de sulfassalazina ou 5 ASA são usados na fase de manutenção do tratamento.

• O tratamento cirúrgico fica reservado àqueles casos de não resposta adequada ao tratamento clínico, sangramento exacerbado (colite fulminanate) ou pacientes com altos índices de recidiva da doença.